O ano de 2008 tem sido prodigioso em reinvenções na Bossa Nova. Este mês trago-vos duas vozes femininas: uma loira e outra morena. Aléxia Bomtempo e Fernanda Takai pegaram em coisas novas e antigas e deram-lhes uma roupagem nova muito própria. Ora oiçam e leiam...
Quando dá saudade eu evaporo
E viro uma nuvem d' água pra chover em você
Depois vou pegando uma toalha
De raios de sol para te secar
O vento bate em seus cabelos
E vai fazendo uma onda levantar
Que me carrega com velocidade
Pra onde quero chegar
Quero Chegar
Quando falta abraço
Eu dou defeito
Carinhos e beijinhos
Me fazem funcionar perfeito
Ai quem me dera
O meu chorinho tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorar
Ai nem me lembro tanto, tanto
Todo encanto de um passado
Que era lindo, era triste, era bom
Igualzinho ao chorinho chamado Odeon
Pensando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tira da canção do violão esse bordão
Que me dá vida e que me mata
É só carinho o meu chorinho
Quando pega e chega assim, devagarzinho
Meia-luz, meia voz, meio-tom
Meu chorinho chamado Odeon
Ai vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça que o choro sentido tem
Quanto tempo passou, quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém
Ah, quem diria que um dia, chorinho meu
Você viria com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer não faz mal
Tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar com vocês
Chora bastante o meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon
Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda persigo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece de sai só do coração
Se eu pudesse recordar e ser criança
Se eu pudesse renovar minha esperança
Se eu pudesse me lembrar como se dança
Esse chorinho que hoje em dia ninguém sabe mais
Chora bastante o meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon