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30
Abr 08
publicado por Luís Veríssimo, às 12:57link do post | comentar | ver comentários (1)


«Entrei no seu restaurante tentado não ser descoberto. Fui encontrar Gilda a dedilhar uma melodia qualquer na guitarra. Parecia-me uma canção de amor francesa, daquelas em que se sofre de amor duma forma terrivelmente dolorosa. Uma daquelas canções que Edith Piaf com certeza chorou a cantar. Abeirei-me de Gilda para tentar acalmar o meu e o seu espírito. Abraço-a por trás. Gilda assusta-se. "Porque tocas uma canção tão triste?" pergunto-lhe. "Porque estou triste!" responde-me. Volto a perguntar "Mas que se passa?". "Não me sinto realizada. Nem profissionalmente, nem como mulher!" responde-me de forma ainda mais triste. Abraço-a ainda mais e com mais força. Vindo de si o seu perfume embriaga-me a razão. Fico desconcertado. Não sei como a ajudar. Já nem sei que fazer. Sei apenas que a sua tristeza se apodera também de mim. Eu padeço do que ela padece. Gilda volta a tocar e a murmurar a mesma canção: Non! Rien de rien! Non! Je ne regrette rien!. Fico apenas a ouvi-la a encher-me o coração.»


Gilda


24
Mar 08
publicado por Luís Veríssimo, às 13:00link do post | comentar | ver comentários (2)


«O sol abraçava-nos com uma intensidade demasiadamente agradável. A pouca brisa que se fazia sentir era amena. O murmúrio das ondas embalava-nos até aos confins do tempo. Ela quase adormecida enrosca-se mais um pouco no meu colo. Esta praia é saborosa. Este sol da Primavera é saboroso. Esta vida é saborosa. Este momento é saboroso. Esta felicidade é saborosa. O saboroso silêncio é interrompido por si: "Gostava que um dia fossemos felizes...". "Quer dizer que neste momento não somos felizes?" interroguei-a eu indignado. "Mas é este momento... não conseguimos ser felizes todos os dias e todas as horas..." respondeu-me. "Isso é impossível! A vida é feita de momentos... A nossa vida é feita de momentos! Nós temos os nossos momentos de felicidade...". Gilda não ficou satisfeita nem com a minha indignação, nem com a minha resposta. Levantou-se amuada, prontamente abracei-a por trás. Ela esboçou um sorriso malandro. Esta felicidade é saborosa. Este sol da Primavera é saboroso, ai como nos aquece...»


Gilda


16
Fev 08
publicado por Luís Veríssimo, às 06:00link do post | comentar | ver comentários (1)


«O cabelo ondulado tentava tapar o que o decote do vestido negro teimava em mostrar. Alheia à confusão que reinava Gilda observava uma loja de roupa para bebés. Quereria isto dizer alguma coisa? Aproximei-me de si tentando não a assustar. Entreguei-lhe o ramo de estrelícias, as suas eternas e exóticas flores. Deu-me um longo beijo, que supus apaixonado. As minhas mãos precorreram-lhe as curvas do seu delicioso corpo. "Quero ter um filho teu!" diz-me logo de seguida. Fiquei atónito, nada lhe respondi. Afinal queria dizer alguma coisa o facto de estar a ver aquela montra. Beijei-a de novo, agora com mais intencidade ainda. Os seus longos dedos despenteavam-me as melenas. Apertei-a ainda mais contra mim. Senti vindo de si o calor do nosso terrível amor.  O beijo foi eterno e logo de seguida terminou.»


Gilda


24
Jan 08
publicado por Luís Veríssimo, às 18:00link do post | comentar | ver comentários (5)


«Gilda entra no restaurante. Lentamente, muito lentamente tira a luva da mão direita. Sensualmente, muito sensualmente tira a luva da mão esquerda. De seguida atira-as à cara de alguém. O silêncio e a estupefacção imperam. Com um inclinar de ombros o casaco desliza-lhe pelas costas e pelos braço. Dirige-se ao centro, um passo à frente do outro, estilo modelo, arrasta o casaco pelo chão. A femme fatale no seu melhor. Um fulano qualquer oferece-lhe um cigarro. Prontamente alguém estende-lhe um Zippo de chama pronta. Eu, muito indignado, chego-me a ela e pergunto-lhe: "Voltaste a fumar?!?". "Sim! Porquê? Tens algum problema com isso?" responde-me ela. "Sim, tenho!" e arranco-lhe o cigarro da boca e jogo-o no chão, pisando-o com raiva. Uma valente estalada sua petrifica-me. Viro-lhe costas e dirijo-me à saída. Abandonando-a à sua sorte. Soube mais tarde que nessa mesmíssima noite a ASAE foi a esse restaurante fazer uma inspecçãozinha. Acabou por fechar o espaço e multou Gilda. Realmente a sua sorte nessa noite não estava a seu favor...»



Gilda


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