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Abr 08
publicado por Luís Veríssimo, às 13:22link do post | comentar | ver comentários (3)

...todos (e todas) nós somos aquilo que concebemos, aquilo que criámos, somos o animal inventado. Desde o primeiro momento em que criamos a personagem temos que ter cuidado. A personagem nunca poderá ser o animal dominante dentro de nós. Caso deixemos, por descuido ou propositadamente, que a personagem domine, passamos a ser completamente a personagem e não nós. Seria muito mais simples não criarmos personagem alguma. Seria muito mais simples dar um tiro no animal assim que víssemos um vislumbre dele. Seria, claro que seria. Mas isso é raro acontecer, senão mesmo impossível. Ou seja, criamos sempre uma personagem. Uma para o trabalho, uma para os amigos, uma para a família, uma para nós mesmos, etc. Tendencialmente apenas criamos uma única personagem com várias variações, ou se quisermos, com várias mutações. Temos que ver este animal inventado como um tuxedo que tiramos do armário todos os dias e o vestimos. Não podemos ter a indumentária sempre vestida, mesmo que nos assente muito bem. Temos que ser nós a dominar e não o nosso outro eu. O saia-casaco não é mais que um outro eu de nós mesmos. Tentem fazer este exercício. Verificarão que será para além de ser difícil, será recompensador.


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Abr 08
publicado por Luís Veríssimo, às 15:01link do post | comentar

Aulas sobre Estética


21. Sei exactamente o que acontece quando uma pessoa que percebe muito de fatos vai ao alfaiate e sei também o que acontece quando vai lá uma pessoa que não sabe nada de fatos - o que diz, o que faz, etc. Há um número extraordinário de casos diferentes de apreciação. E, claro, aquilo que sei não é nada comparado com aquilo que se podia saber. Para dizer o que é a apreciação teria por exemplo de explicar a enorme verruga que é o artesanato, essa espécie particular de doença. Teria também de explicar aquilo que os nossos fotógrafos fazem hoje - e a razão por que é impossível obter uma fotografia decente de um amigo, mesmo que se pague mil libras.


Ludwig Wittgenstein


Aulas e Conversas


3.ª edição, impressão: Dezembro, 1998


tradução de Miguel Tamen


Edições Cotovia


nota: Ludwig Wittgenstein nunca escreveu um livro, este Aulas e Conversas sobre Estética, Psicologia e Fé Religiosa, foi compilado a partir de notas recolhidas por Yorick Smythies, Rush Rhees e James Taylor, organizadas por Cyril Barrett.


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