Since 1979
31
Dez 08
publicado por Luís Veríssimo, às 15:56link do post | comentar

Bossa Nova


Neste último mês do ano, neste último dia do ano, apresento-vos o 12.º post deste périplo sobre os 50 anos da Bossa Nova. Para acabar o ano em beleza dou-vos a conhecer as duas primeiras canções do que é considerado o primeiro álbum de Bossa Nova. O LP Canção do Amor Demais de Elizete Cardoso apresenta em 1958 ao Brasil e, por arrasto, ao Mundo o swing jazzístico brasileiro, apelidado de Bossa Nova, tendo como grandes repercussores Vinícius de Moraes e António Carlos Jobim.













1. Chega de Saudade, Elizete Cardoso, Canção do Amor Demais (1958)


Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai

Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim













2. Serenata do Adeus, Elizete Cardoso, Canção do Amor Demais (1958)


Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer nos braços meus
Cai, a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra: Adeus
Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima, um momento breve
De uma estrela pura cuja luz morreu
Ai, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir

Rasga meu coração
Crava as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo o amor
Toda desilusão
Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima um momento breve
De uma estrela pura cuja luz morreu</span></span>
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29
Nov 08
publicado por Luís Veríssimo, às 20:50link do post | comentar

Bossa Nova

Este mês o desafio era escolher 4 temas, 4 músicas, 4 clássicos, 4 pérolas, que representassem 50 anos de Bossa Nova. Foram escolhidos temas em 2 vozes masculinas e 2 vozes femininas para haver paridade. Espero que gostem.


 

 






1. Wave, Lenine, Tom Jobim Songbook Vol. 5 (1995)

 

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel aka Lenine (n. 1959) é dos músicos e cantores mais respeitados da MPB. Wave é um dos melhores temas escrito e composto por Tom Jobim. Esta versão de Lenine é uma das que mais gosto deste tema. Esta "Onda" foi retirada do álbum Tom Jobim Songbook Vol. 5 de 1995.
1. Wave
Vou te contar, os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo, amor
É impossível ser feliz sozinho

O resto é mar, é tudo que eu nem sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho

Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais, a eternidade

Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver


 






2. Samba do Avião, Leila Pinheiro, Isso é Bossa Nova (1994)

 

Leila Pinheiro (n. 1960) gravou em 1994 um dos álbuns que melhor define a Bossa Nova. Isso é Bossa Nova é responsável por confirmar Leila como uma das vozes incontornáveis da Bossa Nova. Ouçam esta sua versão do Samba do Avião.
2. Samba do Avião
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades.
Rio, teu mar
Praias sem fim.
Rio, você foi feito prá mim.
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque
Rio eu gosto de você.
A morena vai sambar,
Seu corpo todo balançar.
Rio de sol, de céu, de mar.
Dentro de um minuto estaremos no Galeão.

Aperte o cinto, vamos chegar.
Água brilhando, olha a pista chegando,
E vamos nós
Aterrar...


 






3. Caminhos Cruzados, Milton Nascimento & Jobim Trio, Novas Bossas (2008)

 

Milton Nascimento (1942) foi sempre um dos enfant terrible da MPB, o seu look tem contribuido bastante para tal. Já muito eu chorei a ouvir Caminhos Cruzados não nesta versão que nos surge no álbum Novas Bossas de 2008.
3. Caminhos Cruzados
Quando um coração que está cansado de sofrer,
Encontra um coração também cansado de sofrer,
É tempo de se pensar,
Que o amor pode de repente chegar.

Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém
E esse outro alguém não entender,
Deixa esse novo amor chegar,
Mesmo que depois seja imprescindível chorar.

Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar!
Vem, nós dois vamos tentar...
Só um novo amor pode a saudade apagar.


 






4. Manhã de Carnaval, Couple Coffee & Band, Young and Lovely 50 Anos de Bossa Nova Live at Musicbox Lisboa (2008)

 

Na voz de Luanda Cozetti os Couple Coffee são dos projectos mais interessantes da nova vaga da MPB. Gostam de dizer que são uma banda portuguesa que canta temas com sotaque brasileiro. Manhã de Carnaval faz parte do álbum deste ano que presta uma singela homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, Young and Lovely 50 Anos de Bossa Nova Live at Musicbox Lisboa.
4. Manhã de Carnaval
Manhã tão bonita, manhã,
Na vida uma nova canção,
Cantando só teus olhos,
Teu rosto, tuas mãos,
Pois há-de haver um dia,
Em que virás.

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou,
Vem uma voz
Falar dos beijos
Perdidos nos lábios teus.

Canta o meu coração,
Alegria voltou, tão feliz,
A manhã desse amor.

31
Out 08
publicado por Luís Veríssimo, às 10:46link do post | comentar

Bossa Nova


O mês passado apresentei-vos alguma da influência que a Bossa Nova teve nos cantores portugueses. Este mês é a vez dos americanos. Estes deixaram-se influenciar agradavelmente com calma e serenidade. Ora vejam estes três exemplos.













1. Meditation (Meditação), Frank Sinatra, Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (1967)


Na extensa discografia do grande Frank Sinatra (1915 - 1998) surge em 1967 com o álbum Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim. Do álbum apresento-vos Meditation (Meditação), igual ao estilo marcante que Sinatra impôs à sua forma de cantar. Contudo esta versão não foge muito ao original. Fiquem com a letra da versão em inglês.
1. Meditation
In my loneliness
When youre gone and Im all by myself and I need your carress
I just think of you
And the thought of you holding me near
Makes my loneliness soon disappear

Though youre far away
I have only to close my eyes and you are back to stay
I just close my eyes
And the sadness that missing you brings
Soon is gone and this heart of mine sings

Yes I love you so
And that for me is all I need to know

I will wait for you till the sun falls from out of the sky
For what else can I do
I will wait for you
Meditating how sweet life will be when you come back to me














2. Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado), Sarah Vaughan, The Antonio Carlos Jobim Songbook (1994)


Sarah Vaughan (1924 - 1990), uma das mais injustiçadas vozes do jazz americano também se deixou encantar pelo Brasil. Apresento-vos a versão de Sarah duma das músicas mais bonitas da Bossa Nova Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado). Esta música foi retirada da compilação The Antonio Carlos Jobim Songbook. Fiquem também com a fabulosa letra desta versão:
2. Quiet nights of Quiet Stars
Quiet nights of quiet stars,
Quiet chords from your guitar,
Floating on the silence that surrounds us.

Quiet thoughts and quiet dreams,
Quiet walks by quiet streams
And a window that looks out
On the mountains and the sea.
Oh how lovely!

This is where I want to be,
Here with you so close to me,
Until the final flicker of life's ember.

I who was lost and lonely,
Believing love was only,
A bitter tragic joke, have found with you,
The meaning of existence.
Oh my love!














3. Desafinado, Ella Fitzgerald, Ella Abraça Tom (1981)


O swing brasileiro seduziu a maravilhosa voz de Ella Fitzgerald (1917 - 1996). Em 1981 Ella surge com o álbum Ella Abraça Tom também conhecido como Ella Fitzgerald Sings the Antonio Carlos Jobim Songbook donde retirei esta fabulosa versão da música Desafinado. Fiquem com a letra em inglês desta versão duma das músicas que menos aprecio da Bossa Nova:
3. Desafinado
Love is like a never-ending melody
Always have compared it to a symphony
A symphony conducted by the lighting of the moon
But our song of love is slightly out of tune

Once your kisses raised me to a fever pitch
Now the orchestration doesn't seem so rich
Seems to me you've changed the tune we used to sing
Like the bossa nova, love should swing

We used to harmonize, two souls in perfect time
Now the song is different and the words don't even rhyme
Cause you forgot the melody our hearts would always croon
So what's good's a heart that's slightly out of tune

Tune your heart to mine the way it used to be
Join with me in harmony and sing a song of loving
We've got to get in tune again before too long

Ther'll be no desafinado
When your heart belongs to me completely
Then you won't be slightly out of tune
You'll sing along with me





30
Set 08
publicado por Luís Veríssimo, às 16:49link do post | comentar | ver comentários (6)

Bossa Nova


A Bossa Nova também influenciou e muito os cantores portugueses. Este mês trago-vos três fabulosas músicas em três fabulosas vozes femininas portuguesas. Cada uma com o seu registo próprio.













1. Luíza, Jacinta, Day Dream (2005)


As influências jazzisticas de Jacinta (n. 1972) estão bem presentes nesta música. Luiza é um dos clássicos de Tom Jobim. Esta música surge no álbum Day Dream de 2005 como aperitivo para uma série de concertos que Jacinta deu em que cantava músicas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ivan Lins e outros.
1. Luiza
Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Me dá tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza














2. Beatriz, Maria João & Mário Laginha, Lobos, Raposas e Coiotes (1999)


Maria João (n. 1956) e Mário Laginha (n. 1960) gravaram em 1999 um dos seus melhores álbuns enquanto dupla. Lobos, Raposas e Coiotes foi gravado com a Orquestra Filarmónica de Hannover. Beatriz foi escrita e composta por Edu Lobo e Chico Buarque.
2. Beatriz
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da actriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da actriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da actriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida














3. Nega Maluca, Amália Rodrigues, ???? (????)


Apesar de se associar Amália Rodrigues (1920 - 1999) sempre a fados tristes, melancólicos e saudosos, esta tinha uma veia muito divertida. A par desta música Amália gravou outros temas mais non-sense, como "O Senhor Extraterrestre" e "Fui ao Mar Buscar Sardinhas" (escrita pela própria). Nega Maluca é um original de Evaldo Rui e de Fernando Lobo.
3. Nega Maluca
Ai!
Tava jogando sinuca
Uma nega maluca me apareceu
Vinha com o filho no colo
E dizia pro povo que o filho era meu
Não senhor!

Tava jogando sinuca
Uma nega maluca me apareceu
Vinha com o filho no colo
E dizia pro povo que o filho era meu
Não senhor!

Tome que o filho é seu!
Não senhor!
Guarde que Deus lhe deu!
Não senhor!
Tome que o filho é seu!
Não senhor!
Guarde que Deus lhe deu!

Há tanta gente no mundo
Mas meu azar é profundo
Veja você meu irmão
A bomba estourou na minha mão

Tudo acontece comigo
Eu que nem sou do amor
Até parece castigo
Ou então influência da côr

30
Ago 08
publicado por Luís Veríssimo, às 20:41link do post | comentar | ver comentários (4)

Bossa Nova


O ano de 2008 tem sido prodigioso em reinvenções na Bossa Nova. Este mês trago-vos duas vozes femininas: uma loira e outra morena. Aléxia Bomtempo e Fernanda Takai pegaram em coisas novas e antigas e deram-lhes uma roupagem nova muito própria. Ora oiçam e leiam...













1. Nuvem d' Água, Aléxia Bomtempo, Astrolábio (2008)


Aléxia Bomtempo (n. ????) é sem dúvida uma lufada de ar fresco na música brasileira. De voz quase sumida mas poderosa. Fui buscar ao seu primeiro álbum a solo (Astrolábio de 2008) uma música original. Nuvem d' Água, escrita por Aléxia, retrata bem a essência da Bossa Nova, apesar de poder ser mais facilmente identificada com a MPB (música popular brasileira).
1. Nuvem d' Água
Quando dá saudade eu evaporo
E viro uma nuvem d' água pra chover em você
Depois vou pegando uma toalha
De raios de sol para te secar
O vento bate em seus cabelos
E vai fazendo uma onda levantar
Que me carrega com velocidade
Pra onde quero chegar
Quero Chegar

Quando falta abraço
Eu dou defeito
Carinhos e beijinhos
Me fazem funcionar perfeito














2. Odeon, Fernanda Takai, Onde Brilham os Olhos Seus (2007)


Fernanda Takai (n. 1971) é tida como a "nova" Nara Leão. Não só pela maneira como se veste, mas também pela forma como canta. O seu primeiro álbum a solo, Onde Brilham os Olhos Seus de 2007, apesar de reportar à Bossa Nova tem muitos laivos de pop e de rock. Deste álbum escolhi Odeon uma música, um chorinho, que está nos primódios da Bossa Nova.
2. Odeon
Ai quem me dera
O meu chorinho tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorar

Ai nem me lembro tanto, tanto
Todo encanto de um passado
Que era lindo, era triste, era bom
Igualzinho ao chorinho chamado Odeon

Pensando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tira da canção do violão esse bordão
Que me dá vida e que me mata
É só carinho o meu chorinho
Quando pega e chega assim, devagarzinho
Meia-luz, meia voz, meio-tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ai vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça que o choro sentido tem
Quanto tempo passou, quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

Ah, quem diria que um dia, chorinho meu
Você viria com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer não faz mal
Tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar com vocês

Chora bastante o meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda persigo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece de sai só do coração
Se eu pudesse recordar e ser criança
Se eu pudesse renovar minha esperança
Se eu pudesse me lembrar como se dança
Esse chorinho que hoje em dia ninguém sabe mais

Chora bastante o meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon

29
Jul 08
publicado por Luís Veríssimo, às 16:28link do post | comentar
Na Bossa Nova não temos como mestres apenas Tom Jobim, ou Vinícius de Moraes, ou Sérgio Mendes, ou João Gilberto. Temos outros, aos quais muitas vezes não se associa sequer a Bossa Nova. É o exemplo dos senhores que vos apresento este mês aqui nesta rubrica.
 

 

1. Vida, Chico Buarque, Vida(1980)
Francisco Buarque de Hollanda, ou simplesmente Chico Buarque (n. 1944) tem uma carreira musical riquíssima desde os anos 60. É também dramaturgo e escritor. É considerado um "monstro" na actual cena musical brasileira. Caracterizado pelos seus olhos azuis enormes. Dele aqui vos deixo Vida do seu álbum Vida de 1980.

1. Vida
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz

 

2. Samba e Amor, Caetano Veloso, Qualquer Coisa (1975)

Caetano Veloso (n. 1942), o quinto filho de Dona Canô (n. 1908) é um dos mestres e irmão duma das divas da música brasileira, Maria Bethânea. Foi o único cantor brasileiro até ao momento que cantou numa cerimónia dos Oscars. Tem uma vasta carreira musical de produção excessional. Do álbum Qualquer Coisa de 1975 escolhi Samba e Amor.

2. Samba e Amor
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama - reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da benvinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade - que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã


27
Jun 08
publicado por Luís Veríssimo, às 06:40link do post | comentar
A Bossa Nova de quando em vez encontra sangue novo disposto a reavivá-la e sobretudo disposto a reinventá-la.
Adriana Calcanhotto (n. 1965) surgiu na cena musical brasileira em 1990 com o álbum Enguiço. A boa aceitação foi de tal ordem que chegou a ser comparada a Elis Regina. Adriana tratou ao longo dos anos de se demarcar. A maior prova disso é o seu álbum para crianças Adriana Partimpim de 2004 onde vestia literalmente a pele de Adriana Partimpim. O seu maior sucesso continua a ser a música Vambora que faz parte do seu terceiro álbum Marítimo de 1998. Dez anos depois Adriana volta, supostamente, aos temas sobre mar. É do seu álbum de 2008 que vos dou a ouvir dois temas. 

 

1. Mulher Sem Razão, Adriana Calcanhotto, Maré (2008)
Este álbum foi apresentado em exclusivo e em primeira-mão aos fãs da cantora e compositora em Portugal num concerto no Teatro S. Luíz no início de Maio. Seguiu-se depois uma tournée de mês e meio pelo nosso país.
1. Mulher Sem Razão
Saia dessa vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou

Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
E confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dê um pouco de atenção

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não dá em nada
É uma festa na prisão

Nosso tempo é bom
E nós temos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto

 

2. Porto Alegre, Adriana Calcanhotto, Maré (2008)

Esta música não foi tocada no concerto de apresentação do álbum no S. Luíz. Pode ser que seja apresentada no concerto do Festival Delta Tejo. Esta alegre música tem a participação especial de Marisa Monte que faz os cantos das sereias.

2. Porto Alegre (Nos Braços de Calipso)
Amarrado num mastro
Tapando as orelhas
Eu resisti
Ao encanto das sereias
Eu não ouvi
O canto das sereias
Eu resisti

Mas chegando à praia
Não fiz nada disso
Então caí
Nos braços de Calipso
Eu sucumbi
Ao encanto de Calipso
Não resisti

Desde então eu não tive
Nenhum outro vício
Senão dançar
Ao ritmo de Calipso
Pois eu caí
Nas graças de Calipso
Não resisti
Ao encanto de Calipso
Só sei dançar
Ao ritmo de Calipso


19
Mai 08
publicado por Luís Veríssimo, às 12:21link do post | comentar

Bossa Nova


O que seria da Bossa Nova sem a bossa de Vinícius? Provavelmente não seria nada. Vinícius de Moraes (1913 - 1980) não era um mero letrista, foi sobretudo poeta, a par disso foi também músico e intérprete.


A forma como Vinícius se comportava perante as mulheres foi descrita em quase todas as suas letras e em quase todos os seus poemas. Casou 9 vezes e chegou a afirmar o seguinte: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.". As letras das músicas seguintes são disso exemplo.









1. Samba em Prelúdio, Vinícius de Moraes, Vinícius e Odete Lara (1963)


Apesar deste álbum ser o segundo da carreira de Vinícius é considerado o primeiro, pois o anterior (de 1956) é apenas a Banda Sonora duma peça de teatro (Orfeu da Conceição peça de 1954). Odete Lara (n. 1929) e Vinícius despontam para a bossa nova com este álbum. As suas vozes roucas são o forte e o chamariz do álbum. Samba em Prelúdio é um samba triste e que de samba tem muito pouco.


1. Samba em Prelúdio



Eu sem você não tenho porquê.

Porque sem você não sei nem chorar,

Sou chama sem luz, jardim sem luar,

Luar sem amor, amor sem se dar.

Eu sem você sou só desamor,

Um barco sem mar, um campo sem flor,

Tristeza que vai, tristeza que vem.

Sem você meu amor eu não sou ninguém.



Ai! Que saudade,

Que vontade de ver renascer nossa vida.

Volta querida

Os meus braços precisam dos teus,

Teus abraços precisam dos meus.

Estou tão sozinho

Tenho os olhos cansados de olhar para o além.

Vem ver a vida.

Sem você meu amor eu não sou ninguém.


 







 2. Deixa, Vinícius de Moraes, De Vinícius e Baden Especialmente Para Ciro Monteiro (1964)



No terceiro álbum da sua carreira, Vinícius colaborou pela segunda vez com Baden Powell (1937 – 2000). Esta colaboração foi uma das mais proveitosas da carreira de ambos. Como o próprio nome indica, este álbum foi dedicado especialmente a Ciro Monteiro (1913 – 1973). Monteiro empresta aqui a sua voz a algumas canções e aos coros de outras. Na música por mim escolhida apenas faz coros.


2. Deixa


Deixa

Fale quem quiser falar, meu bem

Deixa

Deixe o coração falar também

Porque ele tem razão demais quando se queixa

E então a gente deixa, deixa, deixa, deixa

Ninguém vive mais do que uma vez

Deixa

Diz que sim pra não dizer talvez

Deixa A paixão também existe

Deixa

Não me deixes ficar triste



Porque ele tem razão demais quando se queixa

E então a gente deixa, deixa, deixa, deixa

Ninguém vive mais do que uma vez

Deixa

Diz que sim pra não dizer talvez

Mas vê se deixa

A paixão também existe

Deixa

Não me deixes ficar triste

Deixa

A paixão também existe

Deixa

Não me deixes ficar triste


12
Abr 08
publicado por Luís Veríssimo, às 20:30link do post | comentar | ver comentários (1)

E a saga Bossa Nova continua.


Em Fevereiro último levantei nesta saga o problema da Bossa Nova estar ou não a ser reinventada. Indo mais a fundo na questão: se teria os seus dias contados. Para comprovar que a Bossa Nova poderá respirar de alívio trago-vos este mês duas excepcionais cantoras: Bebel Gilberto e Maria Rita. Ambas são filhas de peixe. Ambas estão mais ligadas ao samba. Ambas com voz e corpo muito bonitos. 


 







 1. Um Segundo, Bebel Gilberto, Momento (2007)


Bebel Gilberto (n. 1966) é filha de João Gilberto e Miúcha. Dela apresento-vos a música "Um Segundo" do seu último álbum. Desta música gosto da forma como as palavras estão encadeadas. Sinto que esta música tem uns laivos de jazz, sobretudo lá mais para o final. É uma das melhores músicas deste álbum.


 


1. Um Segundo


De tanto esperar você me ligar

Eu não pude me controlar

Acabei por ligar de novo então

Então te mostrar tudo em vão



Te dou apenas um segundo

Pra me encontrar bem lá no fundo

Pra então me mostrar o que eu não pude ver

O que eu não pude ser



Me dê só mais um segundo

Pra te dizer lá no meu mundo

O que eu não pude mais dizer

Não pude te contar, não pude mais falar



De tanto contar com você pra dançar

Eu não sei mais como levar

Sem ter mais nenhum volume no meu som

Eu não sei como mais cantar



Te dou apenas um segundo

Pra me encontrar lá bem no fundo

Pra me pecar e me rolar, pra me deixar contar

O que eu não sei contar



Te dou apenas um segundo

Pra me dizer baila no fundo

O que não soube te contar, não soube mais falar

Não soube mais cantar...
 


 







2. Pagu, Maria Rita, Maria Rita (2003)


Maria Rita (n. 1977) é filha de Elis Regina e de César Camargo Mariano. Tentou sempre afastar-se da sombra da mãe e até tem conseguido. A versão desta música aqui apresentada é a do primeiro álbum. Tinha Maria Rita na altura uns 26 anos, ainda não tinha a voz bem formada. Agora com 31 anos esta música soa muito melhor.


 


2. Pagu


Mexo, remexo na inquisição

Só quem já morreu na fogueira

Sabe o que é ser carvão

Eu sou pau pra toda obra

Deus dá asas à minha cobra

Minha força não é bruta

Não sou freira nem sou puta



Porque nem toda feiticeira é corcunda

Nem toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone

Sou mais macho que muito homem




Sou rainha do meu tanque

Sou Pagu indignada no palanque

Fama de porra-louca, tudo bem

Minha mãe é Maria-Ninguém

Não sou actriz-modelo-dançarina

Meu buraco é mais em cima



Porque nem toda feiticeira é corcunda

Nem toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone

Sou mais macho que muito homem


20
Mar 08
publicado por Luís Veríssimo, às 16:45link do post | comentar | ver comentários (2)

Terceiro episódio da saga Bossa Nova.

Em 1974 Elis Regina (1945 - 1982) e Tom Jobim (1927 - 1994) editaram um álbum em parceria, intitulado apenas Elis & Tom. Elis apesar de ter estado sempre ligada ao samba incursou na Bossa Nova com este álbum. Curiosamente o álbum viria a ser um dos álbuns mais interessantes da Bossa Nova. Com ele foram consagradas diversas músicas, como por exemplo, "Só Tinha de Ser Com Você", "Modinha" ou "Brigas, Nunca Mais". Deixo-vos então aqui duas músicas do álbum:  

 

1. Águas de Março, Elis e Tom

"Águas de Março" tem letra e música de Tom Jobim. Esta canção canta basicamente o fim do Verão e o início do Outono, que no Brasil de dá em Março com a denominada estação das chuvas. Não esquecer que as estações do ano no Brasil são o inverso das estações em Portugal.

1. Águas de Março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de Março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projecto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre treçã
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração

...

  

2. Soneto de Separação, Elis e Tom

Este "Soneto de Separação" foi escrito por Vinícius de Moraes. É um poema lindíssimo que foi musicado por Tom Jobim. Sim, é um poema muito triste, pequeno e incisivo. O que é dito nas entre linhas destes versos é absolutamente maravilhoso.

2. Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


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