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Abr 11
publicado por Luís Veríssimo, às 10:39link do post | comentar | ver comentários (2)

A 28 de Maio de 1926 dá-se a Revolução Nacional. Conduzindo ao fascismo e à ditadura em Portugal. Regime político que termina apenas a 25 de Abril de 1974 com a Revolução dos Cravos. Esta revolução conduziu-nos à liberdade e à libertação de centenas de presos políticos. Durante 48 anos o novo estado perseguiu, prendeu e torturou muitas pessoas, matando algumas centenas também, talvez milhares. 48 penosos anos. Foi o mais longo regime autoritário da Europa Ocidental no século XX.

São os rostos de 16 desses presos políticos que foram torturados que vemos no filme "48" (2009) de Susana de Sousa Dias. Este documentário não é propriamente um documentário. Não documenta, mostra. Mostra-nos de forma fria os retratos de entrada e de saída desses presos. O filme magoa. É um filme difícil de se ver por isso mesmo, porque nos é desconfortável. É arrepiante ouvir os relatos das torturas impiedosas, vis e desumanas. Fazendo da PIDE um monstro real e temível. Este filme é um filme político, de protesto. Que com mestria e sabedoria coloca o dedo na ferida dos efeitos do Estado Novo, que apesar de 37 anos de liberdade ainda está aberta e por sarar. As fotografias não são estáticas, vão-se movendo, um rosto abre-se a outro. Dá-nos o sentido da evolução da tortura espelhada nas caras. Que nos interpelam, avisando-nos que é tão fácil chegar aos regimes que nos retiram todas e quaisquer condições humanas. E é esta dura crueza que nos atinge como um raio.

Em cima na imagem o cartaz do filme e em baixo o trailer.


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