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Mar 08
publicado por Luís Veríssimo, às 16:45link do post | comentar

Terceiro episódio da saga Bossa Nova.

Em 1974 Elis Regina (1945 - 1982) e Tom Jobim (1927 - 1994) editaram um álbum em parceria, intitulado apenas Elis & Tom. Elis apesar de ter estado sempre ligada ao samba incursou na Bossa Nova com este álbum. Curiosamente o álbum viria a ser um dos álbuns mais interessantes da Bossa Nova. Com ele foram consagradas diversas músicas, como por exemplo, "Só Tinha de Ser Com Você", "Modinha" ou "Brigas, Nunca Mais". Deixo-vos então aqui duas músicas do álbum:  

 

1. Águas de Março, Elis e Tom

"Águas de Março" tem letra e música de Tom Jobim. Esta canção canta basicamente o fim do Verão e o início do Outono, que no Brasil de dá em Março com a denominada estação das chuvas. Não esquecer que as estações do ano no Brasil são o inverso das estações em Portugal.

1. Águas de Março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de Março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projecto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre treçã
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração

...

  

2. Soneto de Separação, Elis e Tom

Este "Soneto de Separação" foi escrito por Vinícius de Moraes. É um poema lindíssimo que foi musicado por Tom Jobim. Sim, é um poema muito triste, pequeno e incisivo. O que é dito nas entre linhas destes versos é absolutamente maravilhoso.

2. Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


GRAVA-ME ESTE DISCO
POR FAVOR..........
obrigado por esta Música bonita, luis v

;)
rifa a 24 de Março de 2008 às 00:14

Suponho que pagarás com o corpo... a limpar a minha casa, certo?
Luís V a 24 de Março de 2008 às 11:53

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