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Abr 08
publicado por Luís Veríssimo, às 12:57link do post | comentar


«Entrei no seu restaurante tentado não ser descoberto. Fui encontrar Gilda a dedilhar uma melodia qualquer na guitarra. Parecia-me uma canção de amor francesa, daquelas em que se sofre de amor duma forma terrivelmente dolorosa. Uma daquelas canções que Edith Piaf com certeza chorou a cantar. Abeirei-me de Gilda para tentar acalmar o meu e o seu espírito. Abraço-a por trás. Gilda assusta-se. "Porque tocas uma canção tão triste?" pergunto-lhe. "Porque estou triste!" responde-me. Volto a perguntar "Mas que se passa?". "Não me sinto realizada. Nem profissionalmente, nem como mulher!" responde-me de forma ainda mais triste. Abraço-a ainda mais e com mais força. Vindo de si o seu perfume embriaga-me a razão. Fico desconcertado. Não sei como a ajudar. Já nem sei que fazer. Sei apenas que a sua tristeza se apodera também de mim. Eu padeço do que ela padece. Gilda volta a tocar e a murmurar a mesma canção: Non! Rien de rien! Non! Je ne regrette rien!. Fico apenas a ouvi-la a encher-me o coração.»


Gilda


Conseguiste "misturar" duas mulheres tão diferentes, que afinal até pareciam "chegadas": a ficcionada "Gilda" (ai, Rita, Rita...) e a humana e sofrida Piaff, duma forma brilhante.
Abraço.
pinguim a 1 de Maio de 2008 às 02:44

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