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Mar 08
publicado por Luís Veríssimo, às 20:06link do post | comentar

Ontem de manhã lá consegui acordar a muito custo. A noite foi longa e a bebedeira também. O papi chegava da "sua" Alemanha e eu fiquei do ir buscar. Atrasei-me, claro. A nova hora também complicou o meu cérebro, que ontem estava particularmente lento. Atrasei-me, mas a Groundforce ainda mais se atrasou. Assim que cheguei à zona das chegadas estava o meu pai a sair. Melhor coordenação foi impossível. Depois dos cumprimentos afectuosos, que sempre trocámos mesmo quando houve grandes quezílias entre nós, lá foi ele fumar um cigarro - na rua, claro. Sempre conheci o meu pai assim, fumador, mão forte e pesada de cheiro inconfundível, bigode, cabelo anelado e óculos. Dizem que não sou muito diferente dele fisicamente. Nunca acreditei nisto. Não me vejo aos 55 anos, quase 56, com aquela barriga de cerveja que revela um sedentarismo grave de vários anos. Almoçar sozinho com o meu pai é das coisas mais interessantes. Fala-se dos podres da família, de política, de mim, dele, de projectos para o futuro, do meu irmão, dos meus avós. Foram duas horas de puro deleite. Normalmente estas conversas são regadas com um bom vinho, mas ontem eu estava apenas a água. A Açorda de Camarão que eu comi estava como é habitual deliciosa. A Espetada de Lombo é que não me pareceu lá muito famosa, era acompanhada por um esparregado quase líquido e umas batatas fritas moles. Enfim, a Portugália continua a falhar quando se trata de porco. Depois do repasto fui entregar a encomenda (leia-se: o meu pai) ao meu irmão a Setúbal. Claro que o cumprimento ao meu irmão não tem o calor que existe com outros membros da família. O nosso pai lamenta esse facto. Claro que a culpa não é nossa, o culpado é o tempo. Sinto-me menos responsável ao culpabilizar o tempo pela separação gélida que existe entre mim e o meu irmão. Em princípio no próximo domingo irei ao almoço de família, vamos ver como corre.

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Que bom ouvir dizer "foram duas horas de puro deleite"; isso compensa muitas outras coisas que possam não funcionar tão bem, na família.
Abraço.
pinguim a 1 de Abril de 2008 às 03:03

"Amor" porque esse afastar tao entranhado em ti???
vampiria a 1 de Abril de 2008 às 14:47

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